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John Maynard Keynes

John Maynard Keynes: John Maynard Keynes
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John Maynard Keynes

John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de junho de 1883 — Firle, East Sussex, 21 de abril de 1946) foi um dos mais influentes economistas do século XX. Suas idéias intervencionistas e estatistas chocaram-se com as doutrinas econômicas vigentes em sua época e estimularam a adoção de políticas intervencionistas sobre o funcionamento da economia.


Índice

Biografia

Jonh Maynard Keynes nasceu na cidade de Cambridge, situada há cerca de 80 quilômetros de Londres, Inglaterra, no dia 5 de junho de 1883, tendo como pais dois importantes membros da elite intelectual inglesa da época, sendo o primogênito num total de três irmãos. O seu pai, Dr. Jonh Neville Keynes foi professor de economia e lógica da Universidade de Cambridge e autor de um importante tratado sobre a metodologia da economia. Posteriormente, veio a ocupar um alto cargo administrativo na mesma Universidade. E sua mãe, Florence Ada Brown, foi uma das primeiras mulheres a cursar e concluir os estudos em Cambridge.Valendo-se dos bons relacionamentos de seus pais, foi aceito no graduado Eton College, onde demonstrou, entre outras coisas, seu talento para matemática chegando a ganhar medalhas por mérito nessa disciplina e, posteriormente, em 1902, recebeu uma bolsa de estudos do King's College da Universidade de Cambrige onde teve aulas com os famosos economistas Alfred Marshall e A.C. Pigou, formando-se em 1905 aos 22 anos.Em 1906, foi aprovado em segundo lugar no concurso da Civil Servants (Corpo de Altos Funcionários do Império Britânico), curiosamente não obteve o primeiro lugar devido ao resultado medíocre de sua prova de economia, sendo então designado para Indian Office (Ministério dos Negócios das Índias) por um período de dois anos. Ao regressar para Grã Bretanha, em 1908, passou a ocupar o cargo de professor de economia em Cambridge onde lecionou até o ano de 1915.Publicou, em 1913, Indian Currency and Finance (A moeda e as Finanças nas Índias) onde, valendo-se de sua experiência na Indian Office, critica o sistema monetário internacional com o padrão ouro como base de se determinar o valor das moedas.Graças ao renome alcançado, lhe é enfim oferecido um cargo no British Treasury (Tesouro Britânico). Dada a sua importância, após a I Guerra Mundial, foi conselheiro na delegação britânica enviada a Conferência de Paz de Paris; demitiu-se do cargo, um ano depois, por discordar das punições infligidas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes pois, para ele, eram medidas injustas e vingativas servindo apenas para estimular a corrida armamentista européia do período entre guerras. Valendo-se da experiência adquirida nas negociações de paz publica The Economic Consequences of the Peace (As Conseqüências Econômicas da Paz) onde sua opinião, sobre o acordo de paz firmado, torna-se pública, ficando, com isso, mundialmente conhecido.Voltou a lecionar e, posteriormente, administrar a área financeira de Cambridge, onde passou a ter uma vida social muito ativa reunindo-se com diversos escritores, pintores e artistas chegando a patrocinar inúmeros eventos artísticos. Durante esse período de sua vida, procurando melhorar e multiplicar suas finanças, passa a investir no capital especulativo. Em 1925, apesar de sua homossexualidade, casa-se com Lydia Lopokova, uma bailarina da famosa companhia Ballet Diaghilev.Em 1932 redigiu seu “Tratado Sobre a Reforma Econômica” e quatro anos depois, em 1936, é publicado o que todos consideram como sua maior e mais influente obra, The General Theory of Employment, Interest and Money (A Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda) o que em fim veio a iniciar a chamada Revolução Keynesiana que defende a intervenção do Estado na economia. Um ano depois, ainda não totalmente recuperado de um ataque cardíaco, aceita um convite para trabalhar como um dos administradores do Banco da Inglaterra, sendo rotulado como, a partir de então, “o economista oficial da Grã-Bretanha” e algum tempo depois, pelo reconhecimento dos serviços prestados ao Reino Unido, recebe o título de Barão de Tilton.Durante a II Guerra Mundial, Keynes foi o grande responsável pelas novas diretrizes da política econômica britânica sendo designado, após o término do conflito, a chefiar a delegação do Reino Unido na Conferência de Bretton Woods, que durou de abril a junho de 1944, onde criou-se um novo sistema monetário internacional dando origem ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional. Embora esse novo sistema tenha utilizado como base o Plano White americano, as idéias de Keynes, ainda sim, tiveram importante relevância para a criação dessa nova ordem monetária. Seu último feito de grande importância foi a intermediação de um empréstimo dos Estados Unidos à Grã-Bretanha estimado em vários bilhões de dólares.Falece em 20 de abril de 1946, aos 63 anos, em decorrência de outro ataque cardíaco, na cidade de Firle, situada no condado inglês de Sussex nas proximidades do canal da Mancha.

Contribuições teóricas

Micro e Macroeconomia

Anterior ao pensamento keynesiano, a Microeconomia estuda as relações individuais entre os vários agentes econômicos. Estabelece que as forças de oferta e de procura provocariam processos de ajustes para o equilíbrio em todos os preços e valores, plena utilização dos fatores de produção, e um preço de equilíbrio para o uso de cada um. Os desvios desses níveis eram considerados temporários. De modo geral, a análise anterior do preço e do valor assentava-se em hipóteses baseadas no "laissez-faire" e a aplicação de tal teoria implicava uma política de laissez-faire e a perfeita mobilidade dos fatores no seio de uma economia auto-reguladora. Poder-se-ia exemplificar como casos específicos da Microeconomia a procura pelo trigo ou o nível salarial de uma determinada indústria.

Por outra visão, a Macroeconomia cuida dos totais ou agregados. Trata da renda nacional total, e como a mesma é afetada pelos gastos e poupanças totais. A Microeconomia está incorporada a esta. Observa o comportamento da economia total e reconhece que o dano de uma das partes é prejudicial ao todo. A idéia de fluxo é da mais alta importância pelo fato de que a renda total nacional da sociedade deve ser mantida em certos níveis para garantir os níveis considerados desejados pelos intervencionistas de investimentos, economias e emprego.

É uma espécie de conceito de equilíbrio geral: todo elemento da economia depende de todos os demais elementos. Contrariando a Microeconomia, não aceita o laissez-faire, considerando-o, na verdade, uma filosofia inteiramente indigna de confiança e que pode ser julgada grandemente responsável pelas violentas perturbações no nível das atividades comerciais e pelo desemprego subseqüente. Contudo, a Macroeconomia é anterior a Keynes.


Keynes e política econômica

Keynes discordou da lei de Say. Assim como Thomas Malthus, não acreditava que a produção de mercadorias gerariam demanda para outras mercadorias. Para ele o livre mercado não consegue produzir demanda suficiente para garantir o pleno emprego dos fatores de produção. Seria preferível que o Estado criasse déficits fiscais para aumentar a demanda efetiva e instituir uma situação de pleno emprego.

A teoria dos ciclos comerciais, seja ela monetária ou não em sua maneira de apreciar a questão, interessa-se primordialmente pelos problemas das rendas e empregos flutuantes; esses problemas preocuparam os economistas por muitos anos. Os estudos primitivos sobre os ciclos comerciais raramente empregaram muita evidência empírica, mas pelo menos nos Estados Unidos da América a macroanálise existiu durante meio século. Keynes fez a ênfase recair inteiramente sobre os níveis de renda, que segundo ele, afetavam os níveis de emprego, o que constitui, naturalmente, uma ênfase diferente da encontrada nos estudos anteriores. É provavelmente verídico que toda a economia keynesiana tenha-se destinado a encontrar as causas e curas para o desemprego periódico. Keynes não encontrou solução alguma para o problema em quaisquer trabalhos sobre Economia Política então existentes, sendo os seus esforços, portanto, grandemente exploratórios. Desviou-se claramente da maioria das teorias econômicas anteriores, até mesmo da de seu professor, Alfred Marshall, a qual era considerada pela maior parte dos eruditos quase sacrossanta. É verdade que muitas de suas idéias combinaram com as dos economistas anteriores, como Lauderdale, Malthus, Rae, Sismondi, Say, Quesnay e outros. Keynes combinou suas próprias teorias e os desenvolvimentos anteriores em uma análise que ocasionou transformações na Economia aceita em grau que raiou pela revolução.

O objetivo de Keynes, ao defender a intervenção do Estado na economia não é, de modo algum, destruir o sistema capitalista de produção. Muito pelo contrário, segundo o autor, o capitalismo é o sistema mais eficiente que a humanidade já conheceu (incluindo aí o socialismo). O objetivo é o aperfeiçoamento do sistema, de modo que se una o altruísmo social (através do Estado) com os instintos do ganho individual (através da livre iniciativa privada). Segundo o autor, a intervenção estatal na economia é necessária porque essa união não ocorre por vias naturais, graças a problemas do livre mercado (desproporcionalidade entre a poupança e o investimento e o "Estado de Ânimo" dos empresários).

Investimento e expectativas

Para Keynes, o investimento depende da interação entre a eficiência marginal do capital e da taxa de juros, deve-se analisar alguns pontos fundamentais de sua teoria. Keynes não considera, como muitos dos autores neoclássicos, a taxa de juros como um custo de empréstimo ou de financiamento, nem mesmo um custo de oportunidade correspondente ao retorno proporcionado pelos ativos aplicados no mercado financeiro, em relação ao investimento em bens de capital produtivo e nem a diferença de preço entre bens de capital e bens de consumo. A taxa de juros, segundo o próprio autor, é “uma medida da relutância daqueles que possuem dinheiro em desfazer-se do seu controle líquido sobre ele”. Ou seja, é o prêmio que um agente econômico recebe ao privar-se de sua liquidez.

Essa preferência pela liquidez de seus ativos por parte dos agentes econômicos se justifica por causa de incerteza quanto ao futuro dos eventos econômicos e do resultado futuro dos investimentos passados e presentes. Por essa razão, os indivíduos preferem manter sua riqueza na forma de dinheiro.

Por isso, segundo Keynes, a taxa de juros representa um limite ao investimento produtivo, apenas por ser um trade-off do investidor, quando aplica seu capital em uma ampla carteira de ativos, entre o investimento (capital produtivo) e a liquidez (capital monetário).

É bastante discutível as razões pelas quais a eficiência marginal do capital deve ser necessariamente decrescente conforme o volume de investimento. O que ocorre, segundo Keynes, são expectativas de retornos declinantes com o nível de investimento para, de um lado, um dado tamanho (ou crescimento) do mercado, e do outro um crescente risco financeiro associado ao endividamento e à perda de liquidez.

O declínio da eficiência marginal do capital decorre de sua escassez decrescente com o volume demandado, como ocorre com qualquer ativo de capital. Para ativos de capital produtivo, o limite para o investimento é dado pelo mercado dos bens produzidos com esse capital. O declínio do seu rendimento marginal se dá devido aos crescentes custos financeiros decorrentes de amortizações e dívidas contraídas pela empresa investidora, ou ainda o fluxo de desembolsos para o pagamento desses mesmos bens de capital, o que reduz a condição de liquidez da empresa. Esses fatores aumentam os riscos financeiros assumidos pelos investidores, o que faz com que as suas expectativas de retorno sejam cada vez menores.

Em resumo, Keynes percebe o investimento produtivo como um fenômeno monetário, ao invés de autores clássicos que desvinculavam poupança de investimento.A conotação monetária do investimento para Keynes envolve também em reconhecer que as próprias definições do investimento produtivo e de preferência pela liquidez encontram-se interligados pela mútua dependência de expectativas referentes à incerteza frente a acontecimentos futuros.

A peculiaridade das expectativas de longo prazo associadas ao investimento produtivo está principalmente na maior duração do período de comprometimento do investidor com ativos produtivos duráveis, isto é, de baixa liquidez, o que acarreta a dificuldade ou impossibilidade dos erros de correção, por baixos custos, dos erros de previsão quanto aos futuros da economia e dos mercados. Torna-se, portanto, essencial para que os agentes econômicos tomem decisões seguras, buscando minimizar a incerteza.

Porém, como Keynes considera a incerteza uma força endógena ao sistema capitalista, a solução adotada pelos agentes econômicos que possuem ativos é, ao invés de eliminar, contornar as incertezas de suas expectativas pelo recurso da adoção de normas de comportamento convencionais. Essas normas de comportamento convencionais, segundo Keynes, consistem em “supor que o presente estado de coisas continuará indefinidamente a menos que haja razões específicas para esperar mudanças”.

As expectativas de longo prazo não estão sujeitas à revisão repentina, e por isso não podem ser afetadas pelos resultados futuros, e nem eliminadas. Não podem haver, portanto, comportamentos cautelosos, na forma de expectativas adaptativas (e muito menos expectativas racionais), que amenizem as incertezas e estabilizem os investimentos. Pois, a incerteza é uma característica intrínseca do sistema capitalista. Ou seja, em suma, a reação natural dos indivíduos às incertezas quanto aos acontecimentos econômicos futuros é se guiar por um comportamento convencional, que aplaina o caminho do investimento por intermédio de um não desprezível componente inercial das expectativas.

Pensamento e obras

As obras mais famosas de Keynes foram:

As suas idéias e as dos seus seguidores foram adotadas pelos governos ocidentais e por muito governos do terceiro mundo. A sua influência começou a diminuir a partir dos anos 70 com o aparecimento dos monetaristas.

Ligações externas


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