Juiz de Fora
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Juiz de Fora é uma cidade e município brasileiro do estado brasileiro de Minas Gerais, situado na Zona da Mata.
Tem um PIB per capita de 6,2 mil reais e uma das mais altas expectativas de vida do Brasil. Estrategicamente localizada entre os maiores mercados consumidores do país, é dotada de toda a infra-estrutura exigida para modernos empreendimentos. Ocupando lugar de destaque em Minas em qualidade de vida e investimentos, Juiz de Fora também se destaca no ranking de desenvolvimento humano da Organização das Nações Unidas (ONU).
Juiz de Fora é um importante centro regional cultural, sendo a única cidade de sua microrregião a ter cinemas, teatros, casas noturnas e outros locais de entretenimento funcionais. Há também importantes museus como o Museu Mariano Procópio e o Museu de Arte Moderna Murilo Mendes e uma Orquestra Filarmônica (a Orquestra Filarmônica Pró-Música). A cidade realiza anualmente um festival de música clássica, o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.
A vida cultural também é estimulada pela Universidade Federal de Juiz de Fora e diversas escolas de ensino fundamental, médio e superior, públicas e particulares, fazendo do município um destino comum para estudantes. A UFJF oferece 33 cursos de graduação, quinze de mestrado, dois de doutorado e vários de especialização, totalizando mais de doze mil alunos matriculados.
Juiz de Fora chegou a ser a cidade mais importante de Minas Gerais, devido ao forte crescimento industrial conseguido durante a época em que era chamada de "Manchester Mineira". Com a criação da capital Belo Horizonte, a cidade ainda assim continuou a progredir até o ano da grande crise econômica de 1929, quando a economia dos municípios mineiros ligados à cafeicultura sofreu grande abalo. Juiz de Fora só conheceu novo período de desenvolvimento no período da ditadura militar. Durante a década de 1980, a cidade passou por longo recesso econômico, no entanto nos últimos anos os grandes investimentos voltaram à cidade, sendo muitos esperados para o ano de 2007 (como um shopping e um aeroporto regional).
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História
A história de Juiz de Fora confunde-se com a história do século XIX mineiro. Situada na Zona da Mata, suas origens remontam à abertura do Caminho Novo, estrada criada em 1707 para o transporte do ouro. Diversos povoados surgiram, estimulados pelo movimento das tropas que ali transitavam rumo ao porto do Rio de Janeiro, a exemplo de Santo Antônio do Paraibuna, criado por volta de 1820.
Em 1850, a vila de Santo Antônio do Paraibuna é elevada à categoria de cidade e, quinze anos depois, ganha o nome de "cidade do Juiz de Fora". Este curioso nome gera muitas dúvidas quanto à sua origem. O juiz de fora era um magistrado nomeado pela Coroa Portuguesa para atuar onde não havia juiz de direito. A versão mais aceita pela historiografia admite que um desses magistrados hospedou-se por pouco tempo em uma fazenda da região, passando esta a ser conhecida como a Sesmaria do Juiz de Fora. Mais tarde, próximo a ela, surgiria o povoado. A identidade exata e a atuação desse personagem na história local ainda são polêmicas.
Um personagem de grande importância na cidade foi o engenheiro alemão Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld (Henrique Guilherme Fernando Halfeld), que empresta seu nome a uma das principais ruas do comércio local. Halfeld, após realizar uma série de obras a serviço do Estado Imperial Brasileiro, acaba por fixar residência na cidade, envolve-se na vida política, constrói a Estrada do Paraibuna e promove diversas atividades no município, sendo considerado um de seus fundadores.
Mas contar a história de uma cidade é mais que citar seus personagens ilustres e seus feitos. Fazemos referência à população pobre e livre que vivia na cidade, responsável pelo pequeno comércio, produção de gêneros e utensílios de primeira necessidade e aos escravos, que constituíam, na década de 1860, quase 60% da população total.
A partir de 1850, Juiz de Fora passa a vivenciar um processo de grande desenvolvimento econômico proporcionado pela agricultura cafeeira que se expandia pela Zona da Mata mineira, dando origem à formação de várias fazendas. Por iniciativa de Mariano Procópio Ferreira Lage, inicia-se a construção da primeira via de transporte rodoviário do Brasil: a Estrada União e Indústria, com 144 Km de Petrópolis a Juiz de Fora, com o objetivo de encurtar a viagem entre a Corte e a Província de Minas e facilitar o transporte do café.
Mariano Procópio Ferreira Lage contrata então 1.193 [[imigração alemã no Brasil|imigrantes alemães] para a construção da estrada e cria um núcleo colonial que, com a finalização das obras da União e Indústria, volta-se para a produção de gêneros agrícolas e dá origem à Colônia D. Pedro II, hoje atual bairro São Pedro. Os colonos se fixaram também na Vila São Vicente (atual Borboleta) e na Rua Mariano Procópio. Os imigrantes que chegaram à Juiz de Fora vieram em busca de uma melhor condição de vida e, após o fim da construção da estrada, se dedicaram às profissões que praticavam na Alemanha. Assim, a cidade foi sede do primeiro curtume industrial do país, a primeira cervejaria, a primeira estação telefônica e o primeiro transporte público de Minas Gerais. Ao lado de toda esta atividade industrial, o comércio também progredia, podendo contar no ano de 1870 mais de 170 estabelecimentos comerciais e de serviços. É interessante citar também que os alemães que vieram para Juiz de Fora em 1858 foram os primeiros protestantes a chegar no Estado.
No século XIX, Juiz de Fora tornou-se um dinâmico centro econômico, político, social e cultural. Aos poucos, suas funções se ampliam, ganhando ares de cidade moderna, ponto de confluência da população circunvizinha. Ganha um plano de demarcação e nivelamento de ruas, telégrafo, imprensa, banco, bondes. Em 1889, foi inaugurada no município a primeira usina hidrelétrica de grande porte da América do Sul, a Usina de Marmelos, importante marco do setor elétrico do país e grande impulsionadora da indústria na cidade.
Os ganhos obtidos com o café, associados às facilidades de transporte, energia e mão-de-obra, acrescida com a chegada de centenas de imigrantes italianos, possibilitaram um intenso desenvolvimento industrial, e a cidade passa a ser denominada "A Manchester Mineira". Os setores que mais se desenvolveram foram o da indústria têxtil e, em segundo lugar, o da produção de alimentos.
Juiz de Fora, no fim do século XIX, possuía uma dinâmica vida cultural, representada pelos teatros, jornais, colégios e intensa atividade literária. A própria arquitetura reflete a prosperidade econômica e cultural, por meio do estilo eclético das construções, com diferentes manifestações do passado: o gótico, o grego e com a introdução, neste século, do Art Nouveau e Art Déco. Mais tarde, na década de 50 do nosso século, encontramos construções com concepções modernas, como as obras de Oscar Niemayer e os painéis de Di Cavalcanti e Cândido Portinari.
Durante todo o século XX Juiz de Fora se destacou nos grandes momentos históricos do País. E, após viver um período de relativa decadência industrial a partir dos anos quarenta, passou a se destacar pelo crescimento dos setores comercial, industrial e de prestação de serviços, o que a coloca como a segunda cidade de Minas Gerais e a Capital da Zona da Mata Mineira.
Pontos turísticos
- Museu Mariano Procópio: O primeiro museu de Minas Gerais e o terceiro do Brasil, traz um dos mais abrangentes acervos do período imperial brasileiro.
- Cine-Theatro Central: Inaugurado em 30 de março de 1929, é um dos mais importantes teatros mineiros. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, foi restaurado e reinaugurado em 1996.
- Parque da Lajinha: Área verde de 140 mil metros quadrados, possui trilhas para caminhada e mountain bike, lago e amplo espaço aberto.
- Morro do Imperador: Um dos pontos mais altos (1492m) e a melhor vista da cidade. Recebeu este nome por ocasião da visita de Dom Pedro II em 1861.
- Usina de Marmelos Zero: Construída pelo industrial Bernardo Mascarenhas e inaugurada em 1889, trata-se da primeira usina elétrica da América Latina.
Ver também
Ligações externas
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