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Maria Amélia Carvalheira


MARIA AMÉLIA CARVALHEIRA

MARIA AMÉLIA CARVALHEIRA


MARIA AMÉLIA CARVALHEIRA nasceu a 5 de Setembro de 1904, na freguesia de Gondarém, concelho de Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana do Castelo.Apresentada em 1947 ao Mestre Barata Feyo, este, depois de ver os seus trabalhos, como artista autodidacta e amadora, prontificou-se a aceitá-la como sus discípula. Durante cinco anos aprenderia com o Mestre tudo o que a esta arte diz respeito.Até 1948, Maria Amélia Carvalheira usou, como assinatura nos seus trabalhos, o nome de “Quinha” e a partir de 1949 passou a assinar “Carvalheira”.Escultora de arte sacra por ideal, Maria Amélia Carvalheira consagrar-se-ia entre os grandes nomes dessa arte ao ganhar, em 1949, o Prémio de Artes Plásticas “Mestre Manuel Pereira” para a escultura, com a obra intitulada “S. João de Deus”.Em 1951 participa na I Bienal de S. Paulo com um baixo-relevo em bronze representando “S. Lucas”.Em 1952 participa, em Goa, na Exposição Comemorativa de S. Francisco Xavier, com o seu alto relevo denominado “ A última Ceia de Cristo “ . Participa ainda em muitas outras exposições, não só em Portugal, como também no Brasil e Moçambique, tendo muitas obras espalhadas por diversos países da Europa, Ásia, África e Américas. Pouco antes de morrer envia a João Paulo II um pequeno quadro – Baixo Relevo do Santo Padre com um livro aberto e nas páginas desse livro as figuras de Jacinta e Francisco Marto.

É efectivamente Fátima, o local onde o seu trabalho e o seu talento de Artista atinge maior notoriedade e visibilidade, sobretudo nas seis estatuas da colunata (Santa Teresa, S. João da Cruz, S. Simão Stock, S. Afonso Maria de Legória, S. Inácio de Loiola e S. Francisco de Sales), no S. Domingos de Gusmão no interior da Basílica, na Via Sacra dos Valinhos, no Anjo da Loca, na Nossa Senhora dos Valinhos e em muitas outras obras espalhadas por inúmeras casas religiosas pela Cova da Iria. A Obra de Maria Amélia Carvalheira permite-nos vislumbrar através da simbologia utilizada que, embora dependente de uma visão estética, através da beleza das formas, ultrapassa a própria forma, e, enquanto representativa, chama-nos à interioridade. Coloca-se em jogo a própria vivência espiritual da artista, na interpretação e perspectiva que ela nos apresentou e que quis partilhar connosco. Por isso, a obra de Maria Amélia Carvalheira apela-nos a uma atitude íntima de contemplação e até mesmo de oração, tendo a própria arte por mediadora.A escultura de Maria Amélia Carvalheira, através da simbologia usada, das formas simples, sem expressões carregadas ou forçadas, deixa-nos descobrir, por detrás da imagem que se ergue, a própria representação de Deus que a sustenta. O Deus a quem nunca ninguém viu o rosto, mas a quem todos conhecem gestos largos de Amor para com o Homem como nos transmite a obra de Maria Amélia Carvalheira.A Obra de Maria Amélia Carvalheira é um testemunho de profissionalismo e uma assinatura da sua Fé, uma Fé lúcida, simples e esclarecida que continuará hoje e sempre a manifestar-se nas imagens que criou e que poderá conduzir muitos outros a aproximarem-se de Deus, ou seja, a sua Obra terá sempre uma acção evangelizadora através dos tempos.Em diversas Igrejas e casas religiosas de Lisboa existe um enorme espólio da arte de Maria Amélia Carvalheira, refira-se a Igreja de S. João de Deus, a igreja de S. João de Brito, a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, a Igreja da Buraca, a capela do Hospital de D. Estefânia, a Capela do Colégio Militar, a casa de Retiros da Buraca, as capelas das Irmãs Franciscanas, entre outras.


O seu nome vem citado em diversas enciclopédias, a saber:- Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, no Volume 4, página 1247;- Dicionário dos Pintores e Escultores Portugueses, II Volume (2ª edição actualizada) na página 60 da autoria de Fernando Pamplona;- Nova Enciclopédia Larousse – Volume 5, página 1505 – Edição Ciclo dos Leitores.

Em 1992 o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, faz-lhe a entrega oficial da condecoração atribuída pela Santa Sé – “Pro Eclesia et Pontificie”:Em 1992 Sua Excelência o Presidente da República atribui-lhe o Grau de Comendadora da Ordem de Mérito.Maria Amélia Carvalheira morre em Lisboa no último minuto do dia 31 de Dezembro de 1998.


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