Maria Bonomi
Maria Bonomi (Meina, Itália, 1935) é uma artista plástica ítalo-brasileira.
Italiana de nascimento e brasileira por opção, Maria Bonomi, por sugestão de Lasar Segall, inicia estudos em desenho e pintura com Yolanda Mohalyi. Artista precoce, é assunto de artigo de Lina Bo Bardi publicado na revista Habitat de 1952, por ocasião da exposição coletiva dos alunos do ateliê de Yolanda Mohalyi no Museu de Arte de São Paulo. Após conhecer o artista italiano Enrico Prampolini, em 1952, com quem trabalha a propósito de uma cenografia e estabelece importante relação artística nos anos seqüentes, Bonomi torna-se, em 1953, aprendiz de Karl Plattner. Posteriormente, auxilia-o em alguns projetos, como o da execução do Painel das Folhas, que raliza ao lado de Wesley Duke Lee. Em 1955, como aluna de Lívio Abramo, aprende técnicas de gravura em madeira. Nesse mesmo ano, Bonomi participa da III Bienal de São Paulo, como a mais jovem expositora, com duas pinturas: Retrato I e Catedral. Em 1956, em sua primeira individual, expõe gravuras e monografias no Museu de Arte Moderna de São Paulo, feitas a partir do período de vivência com Karl Plattner e de estudos com Lívio Abramo. Ainda em 1956, recebe o 2º Prêmio de Gravura Arte Contemporânea, instituido pelo industrial Isaí Leirner, o qual é dividido com Lygia Pape.Em dezembro de 1956, Bonomi viaja para a Europa e, no ano seguinte, passa a freqüentar o ateliê de Emílio Vedova, pintor italiano que conhece desde 1953. Em companhia dele, Bonomi visita museus e galerias da Áustria, Bélgica e Holanda.Nos Estados Unidos, em 1958, Maria Bonomi inicia o Museum Training I, com o professor Weinberger, curso oferecido pela New York University e desenvolvido quase todo dentro do Metropolitan Museum. Com Hans Müller cursa Advanced Graphic Arts na Columbia University e com Meyer Schapiro Fine Arts na mesma Universidade. No mesmo ano, tem aulas com o mestre chinês Seong Moy e, em junho, recebe bolsa da Ingram-Merril Foundation para estudar no Pratt-Contemporaries Graphic Art Centre, de Nova Iorque.No Pratt, Maria Bonomi amplia seu horizonte técnico e artístico, passando a fazer gravuras de grandes dimensões, as quais atingem até noventa centímetros. Data desta época a xilogravura Parade, obra motivada por um desfile ocorrido na Fifth Avenue em Nova Iorque, adquirida posteriormente por Nelson Rockfeller, então governador do estado de Nova Iorque. Em novembro de 1958, Maria Bonomi abre sua primeira exposição individual nos Estados Unidos, na Roland de Aenlle Gallery de Nova Iorque. Nesta ocasião, publica-se artigo no The New York Times de 21 de novembro de 1958, no qual Dore Ashton, colunista de arte do jornal, tece elogios sobre o trabalho de Maria Bonomi. Salvador Dali, surrealista espanhol, também visita a exposição de Bonomi na Roland, fato este documentado pela revista O Cruzeiro de 18 de abril de 1959.Após expor em individuais e coletivas nos Estados Unidos, regressa ao Brasil. Em 1959, vai para a oficina de gravura em metal de Johny Friedländer, instalado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em São Paulo, começa a ensinar gravura em madeira e em metal no Estúdio Gravura, centro experimental de artes gráficas que funda junto de Lívio Abramo, em 1960, onde atua até 1964.A partir de 1960, faz cenários e figurinos para peças teatrais encenadas por importantes companhias, a exemplo da Cia. Tonia-Celi-Autran. Dos prêmios recebidos em teatro, destaca-se o Molière, concedido em 1966 pela cenografia da peça A Megera Domada, de Shakespeare, apresentada em 1965.Gravadora destacada, recebe o prêmio de Melhor Gravador Nacional na VIII Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1965. Em 1967, integra a seleção de artistas brasileiros convidados para expor Cinquième Biennale de Paris e recebe o Prix de la Fondation Theadoron. Em Liubliana, em 1983, na International Exhibition of Graphic Art, Maria Bonomi recebe Prêmio do Juri Internacional.Em 1971, Maria Bonomi, instaura ateliê coletivo no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, junto da exposição de suas gravuras. Nesse ateliê, o público visitante, além de experimentar, com o auxílio da artista, o processo de gravação e impressão de uma xilogravura, ainda adquire as obras por preços acessíveis, já que é possível ao visitante a compra da gravura por ele impressa.De 1973 a 1975, a gravadora dedica-se a uma série de gravuras realizadas a partir de viagens à Amazônia, China e Japão e de pesquisas efetuadas nesses lugares. As xilogravuras de Bonomi resultam de um enorme acervo de anotações, transformadas, aos poucos, em arte. Na série Transamazônica e China, Bonomi exorbita a dimensão comum das gravuras brasileiras, desenvolvendo-as à escala da natureza.A partir do decênio de 1970, a artista passa a reproduzir a matriz da gravura em qualquer material, desde papel até poliéster, passando pelo alumínio ou concreto. De sua pesquisa gráfica, sobretudo em xilografia e em litografia, resultam Solombras, peças em poliéster reproduzidas a partir de matrizes de gravuras, realizadas em 1972, em homenagem à Cecília Meireles. Em Epigramas, produzidos pela primeira vez em 1982, o barro transforma-se em objetos côncavos ou semi-planos, em bronze, latão e alumínio. A partir de 1974, Bonomi inicia trabalhos em arte pública, buscando convívio em espaços públicos e privados, publicitários e decorativos. Coloca em prática seu primeiro projeto, concluído em 1976: o altar da igreja Mãe do Salvador, mais conhecida como igreja da Cruz Torta, localizada no bairro paulistano de Pinheiros. Segem-se a esse projeto, entre outros, o do edifício Jorge Riskalah Jorge, localizado na esquina da avenida Paulista com a rua Bela Cintra, de 1976. Tendo como inspiração uma paisagem filipina, arrozais em Bengüet, Bonomi cria painéis para o Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. Nesses painéis, Paisagem e Memória, a artista reproduz no concreto os sulcos da matriz em madeira. Pelos painéis, Maria Bonomi recebe o Grande Prêmio da Crítica de 1979, concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.No Memorial da América Latina, ainda em construção, Bonomi ergue painel em solo-cimento, denominado Futura Memória. Nele, Bonomi inscreve tradições míticas latinoamericanas que se estendem por todo território. Através de signos, a artista relaciona crenças e convicções capazes de unir a América Latina em uma única direção, desde seus tempos mais remotos até futuro desconhecido.Mesmo atuando em várias direções, Maria Bonomi dá continuidade a sua obra gráfica. Dedicando-se à xilogravura, imprime formas que condensam energia gráfica em grandes dimensões. Em composições rítmicas e geométricas, sensíveis à natureza, Bonomi cria sínteses gráficas em que explodem paixão e vitalidade; Sappho I, de 1987 e Apoteose de 1993, são exemplos disso. Nelas, a cor, impactante, revela jogo de transparências e desvelamentos. Na série Tropicália, de 1994, a partir de incursão na arte fractal, Bonomi compõe imagem originada de matrizes que, múltiplas, compõem uma forma, feita, desfeita e refeita. Estabelecendo relação com experiências, faz O Pente. Tempo..., xilogravura de 1,00 m por 2,65 m, de 1993, na qual relativiza a banalidade do cotidiano, monumentalizando-o. Reconhecida internacionalmente, realiza diversas exposições fora do Brasil, expondo principalmente xilografia e litografia. Dentre as mostras mais recentes, entre individuais e coletivas, realizadas na Europa e Estados Unidos, destaca-se Gráfica del Mercosur, em Granada, 2004 e 4th. International Triennial of Graphic Arts, em Praga, no mesmo ano, na qual expõe em sala especial instalação chamada Infecção da Memória. Ainda em 2004, conclui painel encomendado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo, erigido na Estação da Luz no corredor de transferência entre o metrô e a CPTM. O Epopéia Paulista narra a história da imigração à cidade de São Paulo a partir de objetos recolhidos, ao longo de cem anos, pela seção de achados e perdidos da Estação.Nas palavras da artista: “Na verdade é o espectador que se torna o criador ao passar por este grande quadro que ocupa o entorno subterrâneo e conta a história das adjacências, suas carências e seus excessos. [...] Nossa obra torna pública a grande aventura da imaginação dirigida para quem por ali passar, nutrindo eternamente a sociedade e a história da certeza de que nada foi em vão”.
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